CoinEx e Coinext são duas corretoras diferentes, e as duas anunciaram encerramento em setembro de 2026 por motivos que não têm nada a ver um com o outro. A CoinEx, internacional, fecha globalmente depois de nove anos, citando pressão regulatória em vários países e risco de segurança, com saques até 22 de dezembro. A Coinext, brasileira, é a quinta a deixar o varejo no Brasil por causa das exigências de capital do Banco Central, com negociação até 15 de outubro e saque de cripto até 20 de outubro. Quem tem saldo numa delas precisa saber em qual está, porque os prazos e o que acontece com o saldo são diferentes.
A confusão é compreensível: um “x” de diferença, as duas fundadas em 2017, as duas encerrando na mesma semana. Vi a mistura em manchetes, em grupos de investidores e em publicações do próprio setor, inclusive nas nossas redes. O problema de misturar não é só de nome: quem acha que a Coinext dá prazo até dezembro perde o saque de cripto em 20 de outubro, e quem acha que a CoinEx saiu por causa do Banco Central tira uma conclusão errada sobre o que a regulação brasileira está fazendo.
Neste artigo, separo as duas empresa por empresa, mostro o que cada cronograma exige de quem tem saldo, o que acontece fiscalmente quando o saldo é convertido sem você pedir, e o que a distinção ensina sobre a onda de saídas de 2026.
Quem é quem?
| Aspecto | CoinEx | Coinext |
|---|---|---|
| Origem | Internacional, fundada em 2017 | Brasileira, em operação desde 2017 |
| O que anunciou | Encerramento global das operações | Encerramento das operações de varejo no Brasil |
| Motivo declarado | Endurecimento regulatório em vários países e elevação dos riscos de segurança | Nova realidade regulatória do Banco Central, que exige estrutura de capital e operação diferente da que a empresa tinha |
| Relação com o Banco Central do Brasil | Nenhuma declarada | Direta: Resoluções BCB 519, 520 e 521/2025 |
| Regime fiscal do saldo | Exchange no exterior: Lei 14.754/2023 | Exchange nacional: ganho de capital mensal com isenção de R$ 35 mil |
| Reporte à Receita | Como prestadora que atendia o Brasil, pela IN 2.291 | Como prestadora nacional, operação por operação |
A última linha é a que mais importa para a declaração: o saldo na CoinEx segue o regime do exterior, com apuração anual e sem isenção; o saldo na Coinext segue o regime nacional. Sacar de uma e de outra tem consequências fiscais diferentes, detalhadas em como declarar cripto em exchange no exterior.
Qual é o cronograma da CoinEx?
Pelo comunicado da empresa e pela cobertura da imprensa especializada, o encerramento é gradual:
- 15 de setembro: fim de novos cadastros e início do encerramento;
- 22 de setembro: encerramento dos serviços que não sejam negociação à vista;
- 29 de setembro: fim da negociação à vista, com conversão de criptomoedas para USDT;
- 22 de dezembro: data limite para saque dos ativos.
A empresa afirma manter reservas superiores a 100% dos depósitos e garantir o saque integral. A conversão automática de 29 de setembro é o ponto fiscal: quem tinha bitcoin ou ether na CoinEx e não moveu até lá teve os ativos convertidos em USDT sem pedir. Para a Receita, isso é permuta, e permuta é alienação, com o ganho apurado no regime do exterior, no ano, a 15%. A conversão que você não escolheu gera o mesmo imposto da que escolheria.
Qual é o cronograma da Coinext?
A Coinext comunicou aos clientes um encerramento de varejo com datas próprias:
- 15 de outubro: fim da negociação de ativos;
- 20 de outubro: fim dos saques de criptoativos;
- A partir de 26 de outubro: conversão automática em reais do saldo que restar.
Aqui a conversão automática é para reais, e é alienação no regime nacional: entra no total de vendas do mês de outubro, e se o total passar de R$ 35 mil, o ganho paga 15% no DARF de novembro. Quem quer manter a cripto precisa sacá-la para outra corretora ou para carteira própria até 20 de outubro. Quem quer vender pode deixar converter, sabendo que o preço e o mês da alienação serão os da conversão, e não os que escolheria.
A Coinext é a quinta exchange a deixar o varejo brasileiro em 2026, depois de Bitnuvem, NovaDAX, Digitra e Bitso, e foi seguida pela Lemon, que anunciou saída em 16 de setembro, e pela Crypto.com, que encerra a conta em reais em 25 de outubro. Nenhuma quebrou; todas anunciaram cronogramas de devolução. O que fazer em cada caso está em minha corretora vai fechar: como sacar sem perder o histórico fiscal.
Antes de sacar de qualquer uma das duas, exporte o histórico completo. O Blue Cripto importa o extrato e preserva o custo médio, que precisa sobreviver à migração. Comece grátis.
O que acontece com o custo médio na saída?
Nada, se você sacar a cripto. Transferir bitcoin da Coinext para outra corretora ou para a sua Ledger não é alienação: o mesmo bem muda de lugar, e o custo médio que você tinha na Coinext acompanha. O que muda é o regime da venda futura, definido pela custódia de destino: outra exchange nacional ou carteira própria mantém o regime nacional; uma exchange no exterior passa para a Lei 14.754.
O risco está no que se perde no caminho. O custo médio da Coinext foi construído com as compras feitas lá, e a prova dessas compras é o extrato da Coinext. Depois do encerramento, esse extrato pode não estar mais disponível. Quem saca a cripto sem exportar o histórico chega à venda futura com um bem sem prova de custo, e sem prova de custo a Receita pode tratar o valor cheio como ganho. O mesmo vale para a CoinEx: o histórico de anos de operação no exterior sustenta a apuração anual de 2026 e a de todos os anos anteriores que ainda estão dentro do prazo de decadência.
A ordem certa é exportar tudo primeiro, sacar depois. A migração do custo de uma corretora para outra está em custo médio ponderado em cripto.
Por que a distinção importa além do prazo?
Porque cada uma das duas saídas conta uma história diferente sobre 2026. A CoinEx sai do mundo inteiro, e a decisão dela reflete o que está acontecendo com exchanges médias globalmente: regulação apertando em várias jurisdições ao mesmo tempo, custo de segurança subindo, volume caindo. Não é sobre o Brasil.
A Coinext sai do varejo brasileiro por uma decisão que é toda sobre o Brasil: as Resoluções BCB 519, 520 e 521 exigem capital mínimo apurado pela Resolução Conjunta CMN/BCB 14/2025, que segundo a comunicação do Banco Central fica entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões para as SPSAV, além de segregação patrimonial, PLD e contabilidade no padrão Cosif, com prazo de pedido até 30 de outubro. A empresa disse, em nota, que a nova realidade exigia uma estrutura diferente da que ela tinha, e que não encontrou alternativa viável no prazo.
Misturar as duas leva a duas conclusões erradas: que o Banco Central está “fechando exchanges internacionais”, o que não é o caso da CoinEx, ou que a saída da Coinext é “coisa do mercado global”, o que ignora a regulação. A leitura correta da onda brasileira está em só 5 pedidos de licença no BC a 6 semanas do prazo.
O que fazer se você tem saldo numa das duas?
- Confirme em qual está. O domínio, o aplicativo e o comunicado que você recebeu dizem. Coinext tem CNPJ brasileiro; CoinEx, não;
- Exporte o histórico completo antes de qualquer saque: todas as compras, vendas, permutas e transferências, desde a abertura da conta. Depois do encerramento, o extrato pode ficar inacessível;
- Decida entre sacar a cripto ou deixar converter. Sacar preserva o custo médio e o momento da venda; converter é alienação na data da conversão;
- Anote o destino. Saque para carteira própria acima do limiar entra na DeCripto do mês como transferência para carteira não custodiada; saque para outra exchange, como transferência para prestadora;
- Guarde a prova de origem, porque o banco que recebe o valor da venda pode pedir, como explico em o banco bloqueou meu saque de cripto: como comprovo a origem.
Na Blue Consult, que apura Imposto de Renda Cripto desde 2018 com mais de 10.000 declarações processadas, o erro mais comum de quem sai de uma exchange que fecha não é o imposto: é chegar em 2027 sem o extrato que sustenta o custo de tudo o que foi comprado lá. Conteúdo educativo não substitui serviço técnico.
Perguntas frequentes
CoinEx e Coinext são a mesma empresa?
Não. A CoinEx é uma exchange internacional que anunciou encerramento global em setembro de 2026, com saques até 22 de dezembro. A Coinext é uma corretora brasileira que encerra o varejo no Brasil por causa das exigências do Banco Central, com negociação até 15 de outubro e saque de cripto até 20 de outubro.
A CoinEx fechou por causa do Banco Central do Brasil?
Não. A CoinEx declarou como motivos o endurecimento regulatório em vários países e a elevação dos riscos de segurança, num encerramento global. A saída pelas Resoluções BCB 519, 520 e 521 é a da Coinext, brasileira, quinta exchange a deixar o varejo nacional em 2026.
O que acontece se eu não sacar da Coinext até 20 de outubro?
O saldo em cripto que restar é convertido automaticamente em reais a partir de 26 de outubro. Para a Receita, a conversão é alienação no mês em que acontece, no regime nacional: entra no total de vendas de outubro e, acima de R$ 35 mil, o ganho paga 15% no DARF de novembro.
A conversão automática para USDT na CoinEx gera imposto?
Sim. Trocar cripto por USDT é permuta, tratada como alienação pela Solução de Consulta Cosit 214/2021. Como a CoinEx é exchange no exterior, o ganho entra na apuração anual da Lei 14.754/2023, a 15%, sem isenção, mesmo que a conversão tenha sido feita pela plataforma sem o seu comando.
Saia da corretora certa do jeito certo
Duas empresas, dois prazos, dois regimes. Se você tem saldo numa delas e não sabe se saca, converte ou o que vai declarar, fale com um contador especialista em cripto. Declarar corretamente é proteger patrimônio.
Contador (CRC-DF 028007-O), fundador e CEO da Blue Consult, o maior escritório do Brasil especializado em Imposto de Renda de criptoativos. Desde 2018, a Blue processou mais de 10.000 declarações e analisou mais de R$ 5 bilhões em ativos digitais. Mychel também é cofundador da Tokeniza e mantém o maior acervo de conteúdo sobre IR Cripto do país, com mais de 1.700 vídeos publicados.