Amanhã, 31 de agosto de 2026, vence a primeira DeCripto, a de julho. Na reta final, a dúvida que mais chega na Blue não é sobre um campo isolado. É sobre os erros na DeCripto que obrigam a montar o mês inteiro de novo. Trocar um dígito morre em um campo. Escolher a estrutura errada contamina todos os registros do período.
Listo abaixo os sete erros estruturais que mais aparecem, com o que é, como perceber e como evitar em dois minutos.
- Leiaute errado: escolher entre Exchange, Exchange Estrangeira e Sem Exchange pelo ativo, e não pelo ambiente;
- Mês errado: lançar em julho uma operação de 30 de junho ou de 1º de agosto;
- Limiar somado por plataforma: tratar os R$ 35 mil como limite de cada corretora, e não do mês;
- Taxa embutida no valor: somar a taxa ao valor em vez de usar o campo próprio;
- Permuta lançada como compra e venda: transformar uma troca em duas operações que não existiram;
- Contraparte não identificada: deixar em branco quem estava do outro lado;
- Critério de conversão inconsistente: misturar fontes de cotação no mesmo mês.
O que obriga a refazer a DeCripto inteira?
Refazer a DeCripto inteira é necessário quando o erro atinge a estrutura da declaração, e não um registro isolado. Campo digitado errado se conserta no campo. Leiaute, período e critério de valor valem para todas as linhas do mês, então errar um deles derruba o conjunto.
Três perguntas separam um caso do outro. O erro está no leiaute? Está no período? Está em um critério que se repete em todas as operações? Se a resposta for sim, o mês volta para a planilha.
A diferença é de tamanho: um registro errado é meia hora, uma estrutura errada é remontar julho na véspera do prazo.
1. Leiaute errado
O Manual do ADE Copes nº 2/2025 traz três leiautes: Exchange, das prestadoras nacionais; Exchange Estrangeira, com 8 registros; e Sem Exchange, com 9 registros. A escolha é pelo ambiente onde a operação aconteceu, nunca pelo ativo negociado.
Como você percebe: campos que não fazem sentido no seu caso. Preencher dados de prestadora estrangeira para uma troca em DEX é sinal de leiaute trocado.
Por que obriga a refazer: o leiaute define a estrutura de todos os registros do mês. Se ele está trocado, cada operação entra no lugar errado. Não há conserto linha a linha.
Como evitar em dois minutos: antes de abrir o Coleta Nacional (art. 3º), separe as operações do mês em três pilhas, por ambiente. O passo a passo das telas está no guia sobre como montar a DeCripto tela a tela.
2. Mês errado
A DeCripto é mensal. O art. 12 da IN RFB 2.291/2025 fixa a entrega até o último dia útil do mês seguinte: julho vence em 31 de agosto de 2026 e agosto, em 30 de setembro. Manda a data da operação, não a do saque nem a do extrato.
Como você percebe: a soma do mês não bate com o extrato. Sobra valor em um mês e falta no outro.
Por que obriga a refazer: o erro estraga dois meses de uma vez: julho fica incompleto e agosto, inexato. As duas hipóteses estão no art. 13, com multa de 1,5% sobre o valor da operação para a pessoa física.
Como evitar em dois minutos: filtre o extrato pela data da operação antes de importar. Operação de 30 de junho fica fora de julho, mesmo que o dinheiro só tenha entrado depois.
3. Somar o limiar por plataforma
O § 3º do art. 5º obriga a pessoa física quando o valor mensal passa de R$ 35 mil. Esse valor é do conjunto do mês fora de prestadora nacional: exchange estrangeira, DEX e P2P somados, não por plataforma.
Como você percebe: você conferiu cada corretora, viu todas abaixo do limite e concluiu que não precisa entregar.
Por que obriga a refazer: aqui não é refazer, é montar do zero. O mês inteiro fica omitido, e omissão também é infração do art. 13.
Como evitar em dois minutos: some tudo o que ficou fora de prestadora nacional. Em um exemplo ilustrativo, R$ 15 mil em exchange estrangeira, R$ 12 mil em DEX e R$ 10 mil em P2P somam R$ 37 mil, acima do limiar. A lógica está em como declarar P2P na DeCripto operação por operação.
4. Taxa embutida no valor
O art. 9º lista o que o usuário informa: data, tipo de operação, identificação, criptoativo, quantidade, valor em reais e taxas. Valor e taxa são campos separados: a Receita quer ver os dois números, não a soma deles.
Como você percebe: o valor declarado nunca fecha com a ordem no extrato, e a diferença é do tamanho da taxa.
Por que obriga a refazer: a planilha que embutiu a taxa embutiu em todas as linhas. Todos os registros saem inflados, e cada um é informação inexata para o art. 13.
Como evitar em dois minutos: confirme no relatório da plataforma que existem colunas separadas para valor e para taxa. Se a exportação entrega só o líquido, calcule a taxa antes de lançar.
O Blue Cripto importa suas operações de exchange, DEX e P2P, separa valor e taxa e classifica cada operação no tipo correspondente da DeCripto. Comece grátis.
5. Permuta lançada como compra e venda
Trocar BTC por ETH, ou converter para stablecoin, é permuta entre criptoativos declaráveis: art. 6º, inciso II, registro 0210. Não é uma venda seguida de uma compra.
Como você percebe: o número de operações declaradas ficou maior que o de ordens executadas. Duas linhas onde existiu uma.
Por que obriga a refazer: o erro cria duas operações que não aconteceram e omite a que aconteceu. Há ainda o efeito no ganho de capital, porque a permuta é alienação. Em par cripto contra cripto, o lançamento errado se repete dezenas de vezes no mês.
Como evitar em dois minutos: localize no extrato as ordens em que não entrou nem saiu real. São permutas. A classificação está no guia sobre os 9 tipos de operação da DeCripto.
6. Contraparte não identificada
Na operação sem intermediário, o registro pede quem estava do outro lado: CPF ou CNPJ e nome, se a contraparte é brasileira; número de identificação fiscal, se é estrangeira; código próprio da plataforma, se o negócio correu em ambiente descentralizado.
Como você percebe: campos em branco na hora de fechar o arquivo: ninguém anotou quem estava do outro lado.
Por que obriga a refazer: registro sem contraparte é registro incompleto, e o art. 13 trata a informação incompleta como trata a inexata. Em P2P com muitos negócios pequenos, o dado que falta em um registro costuma faltar em todos.
Como evitar em dois minutos: peça a identificação no momento do negócio, não na véspera do prazo. Em plataforma descentralizada, guarde o hash: o parágrafo único do art. 9º admite informá-lo (registro 0980) quando a operação corre por contrato inteligente indivisível.
7. Critério de conversão inconsistente
O art. 10 define a ordem para chegar ao valor justo: valor efetivamente pago, pares de negociação da prestadora, valor contábil, sites especializados em cotação, avaliação mais recente e estimativa razoável. O art. 11 manda converter moeda estrangeira via dólar, pela cotação PTAX de venda.
Como você percebe: duas operações do mesmo dia, no mesmo par, com preços de origens diferentes. Ou média mensal onde deveria estar a cotação do dia.
Por que obriga a refazer: o critério vale para o mês inteiro. Trocar de fonte no meio do caminho deixa a declaração sem defesa em uma fiscalização. Não é um valor errado, são todos.
Como evitar em dois minutos: escolha uma fonte, use a PTAX de venda do dia da operação e anote o critério no topo da planilha. Um critério por ano, documentado, com comprovantes guardados por no mínimo 5 anos.
Revisão rápida: os erros na DeCripto em uma tabela
Antes de transmitir, use esta tabela como revisão final do mês.
| Erro | Sinal de alerta | O que fazer antes de transmitir |
|---|---|---|
| 1. Leiaute errado | Campos que não existem no seu caso | Separar as operações por ambiente |
| 2. Mês errado | Soma do mês diferente da do extrato | Filtrar pela data da operação |
| 3. Limiar por plataforma | Nenhuma plataforma isolada passa de R$ 35 mil | Somar tudo fora de prestadora nacional |
| 4. Taxa embutida | Valor declarado não fecha com a ordem | Separar valor e taxa |
| 5. Permuta como compra e venda | Mais operações do que ordens executadas | Lançar como permuta (0210) |
| 6. Contraparte em branco | Registro sem CPF, CNPJ ou código da plataforma | Recuperar a identificação ou o hash |
| 7. Conversão inconsistente | Cotações de fontes diferentes no mesmo mês | Fixar um critério, com PTAX do dia |
Exemplo: o mês que voltou para a planilha
Exemplo ilustrativo. Um investidor fecha julho com 8 operações em exchange estrangeira, somando R$ 120 mil. Ele monta a declaração em uma tarde e transmite. A planilha de origem trazia valor e taxa no mesmo número, e ele lançou assim nas 8 linhas.
O erro é único na origem e múltiplo no arquivo: os 8 registros ficaram inexatos. Se a fiscalização apontar informação inexata, a base da multa do art. 13 é o valor das operações: 1,5% de R$ 120 mil, ou seja, R$ 1.800 para a pessoa física.
Se ele perceber e retificar antes de qualquer procedimento de ofício, essa linha fica em zero, pelo art. 15. A diferença está no momento da correção. O cálculo das penalidades está no post sobre as multas da DeCripto em detalhe.
Na minha leitura, o dinheiro é a menor parte da conta. O custo maior é refazer as 8 linhas e reconferir cada uma contra o extrato. Na Blue, desde 2018 e com mais de 10.000 declarações processadas, o padrão se repete: erro estrutural custa tempo antes de custar dinheiro.
Errou e já transmitiu? O caminho é a retificadora
O art. 15 da IN RFB 2.291/2025 permite retificar sem multa, desde que a correção venha antes de procedimento de ofício. É a regra que transforma um erro caro em um erro apenas trabalhoso.
Um ponto que muita gente descobre tarde: a retificadora substitui a declaração daquele mês. Ela precisa conter todas as operações do período, não apenas a corrigida. Por isso o erro estrutural incomoda: você não corrige uma linha, entrega o mês de novo.
Se a sua situação é essa, o procedimento está em como retificar a DeCripto sem multa. E vale a ressalva de sempre: conteúdo educativo não substitui serviço técnico.
Perguntas frequentes
Dá para corrigir só o registro errado na DeCripto?
Não. A retificadora substitui a declaração do mês inteiro e precisa conter todas as operações do período, inclusive as que já estavam certas. Por isso um erro que se repete em todos os registros dá o mesmo trabalho que montar a declaração do zero.
Errei o leiaute da DeCripto, preciso refazer tudo?
Sim. O leiaute organiza a estrutura de todos os registros, e cada um deles tem campos próprios. Ao mudar de Exchange Estrangeira para Sem Exchange, as informações passam a ser outras, com a contraparte identificada. É montar o mês de novo no leiaute correto e transmitir como retificadora.
Entreguei a DeCripto sem estar obrigado, e agora?
O art. 13 da IN RFB 2.291/2025 pune atraso, informação inexata, incompleta ou omitida e intimação não atendida. Entregar sem obrigação não está nessa lista. O cuidado passa a ser outro: o que foi declarado precisa estar correto, porque a multa por informação inexata continua valendo sobre o que você informou.
Posso transmitir o mesmo mês de novo?
Sim, é exatamente isso que a retificadora faz: ela toma o lugar da declaração anterior daquele mês. A versão válida passa a ser a última transmitida, com todas as operações do período. Confirme sempre o mês de referência antes de enviar, para não substituir a declaração errada.
Quantas vezes posso retificar a DeCripto?
O art. 15 trata do momento da correção, não de uma quantidade: a retificação sem multa é a feita antes de procedimento de ofício. Confira a versão vigente da norma antes de assumir qualquer limite. Na prática, o que interessa é chegar rápido à versão correta, com a documentação que sustenta cada valor.
Encontrou um destes erros na sua DeCripto de julho? A equipe da Blue Consult revisa o mês operação por operação, monta a declaração no leiaute certo e cuida da retificadora quando ela é necessária. Fale com um contador especialista em cripto.
Contador (CRC-DF 028007-O), fundador e CEO da Blue Consult, o maior escritório do Brasil especializado em Imposto de Renda de criptoativos. Desde 2018, a Blue processou mais de 10.000 declarações e analisou mais de R$ 5 bilhões em ativos digitais. Mychel também é cofundador da Tokeniza e mantém o maior acervo de conteúdo sobre IR Cripto do país, com mais de 1.700 vídeos publicados.