A fila de pedidos de autorização de PSAV no Banco Central cresceu desde 18 de setembro de 2026. Segundo levantamento na base pública de processos do BC, noticiado pelo BitNotícias e pela SpaceMoney em 25 de setembro, constam Wynx Exchange, Onda Finance, W Brasil Comércio, Masterpay, PFPay e Mazzera; outra matéria do BitNotícias cita também a Transfero. Todas, segundo o BitNotícias, operam conversão de Pix para stablecoin, exatamente o perfil que a Resolução BCB 521/2025 colocou no mercado de câmbio e que descreve a mesa P2P e OTC. Faltam quatro semanas para o prazo de 30 de outubro, e a fila mostra quem já decidiu.
Em 23 de setembro, publicamos que só 5 pedidos de licença tinham chegado ao BC, com base no Valor Econômico de 18 de setembro: quatro em análise e uma negada. Uma semana depois, os nomes começaram a aparecer, e o retrato ficou mais nítido. Não é uma fila de exchanges grandes. É uma fila de operações que convertem reais em dólar digital.
Neste artigo, atualizo o número com as fontes, explico por que elas divergem, mostro o que os status do processo indicam e o que não indicam, dou a minha leitura sobre o perfil da fila e resumo o que ela sinaliza para a mesa que ainda não decidiu.
Quem está na fila do Banco Central?
Pelos levantamentos noticiados até 25 de setembro de 2026, estes são os pedidos com nome e status:
| Empresa | Status noticiado | Fonte |
|---|---|---|
| Wynx Exchange | Aguardando manifestação do titular | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| Onda Finance | Em exame | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| W Brasil Comércio | Em exame ou aguardando recebimento, conforme a data da consulta | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| Masterpay | Em agenda | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| PFPay | Em agenda | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| Mazzera | Pedido novo; especializada em conversão de Pix para USDT | BitNotícias e SpaceMoney, 25/09/2026 |
| Transfero | Citada em outra matéria | BitNotícias |
Fora da tabela está o primeiro pedido negado, o da Higherway Tech Soluções (Higher Global), segundo a Exame. As grandes corretoras, como Binance, Mercado Bitcoin e Foxbit, não constam no levantamento noticiado. Isso não quer dizer que não pediram; quer dizer apenas que não aparecem nessa lista. Não sabemos o motivo. Uma possibilidade, entre outras, é que instituições já autorizadas pelo Banco Central em outra modalidade sigam o rito da comunicação formal previsto nas resoluções, e não o pedido de uma SPSAV nova.
Por que as fontes divergem no total?
Porque cada uma contou numa data e com um critério. O Valor Econômico falou em cinco pedidos até 18 de setembro, incluindo o negado. Os levantamentos de 25 de setembro listam seis nomes, e uma segunda matéria acrescenta um sétimo. Três fatores ajudam a explicar a diferença:
- Datas diferentes: a Mazzera, por exemplo, aparece como pedido novo, protocolado depois da reportagem do Valor;
- Critérios que podem ser diferentes: a contagem do Valor incluía o pedido negado, e os levantamentos listam os nomes em andamento;
- Nome de processo nem sempre é nome de marca: a base pública pode mostrar o requerente pela razão social, e a identificação depende de quem pesquisa.
Por isso não cravo um total. O que as fontes permitem afirmar é que a fila tem entre seis e sete nomes conhecidos, cresceu em uma semana e segue pequena diante do mercado que presta serviço de ativo virtual no Brasil.
O que significam “em exame”, “em agenda” e “aguardando manifestação”?
São os rótulos que o sistema público do Banco Central mostra para a fase de cada processo. Não conheço um glossário oficial desses rótulos para os pedidos de PSAV, e por isso a leitura abaixo é literal e cautelosa, não uma descrição do rito interno:
- Em exame: o processo está sendo analisado. Não indica prazo nem tendência de aprovação;
- Em agenda: o processo está programado para uma etapa seguinte. O que é essa etapa, o sistema não diz;
- Aguardando manifestação do titular: pela literalidade, a bola está com a empresa, que precisa responder a algo, como um pedido de documento ou esclarecimento;
- Aguardando recebimento: pela literalidade, sugere uma etapa administrativa de tramitação, sem juízo sobre o mérito.
O que nenhum desses status mostra é aprovação próxima. O processo de autorização é um diálogo em que o regulador devolve exigências, e o que a mesa precisa manter durante esse período está em protocolei o pedido de PSAV: o que a mesa pode fazer.
Minha leitura: a fila é de mesas de Pix para stablecoin
O dado mais relevante da semana não é o número, é o perfil. Se o BitNotícias está certo em que todas as empresas da fila operam conversão de Pix para stablecoin, a fila é feita de operações que, pela Resolução BCB 521/2025, estão no mercado de câmbio. Essa norma colocou no câmbio a compra, a venda e a troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária, e as transferências de ou para carteira autocustodiada. Só PSAV autorizada para esse mercado pode prestá-las.
É exatamente o que faz a mesa P2P e OTC típica: recebe Pix, entrega USDT na carteira do cliente, e o contrário. Quem está na fila percebeu que o próprio negócio é câmbio e decidiu enfrentar a autorização. O que entrou no câmbio está em Resoluções BCB 520 e 521: o que muda na operação com cripto.
A conta que explica o tamanho da fila
Exemplo ilustrativo. Uma mesa converte R$ 3 milhões por mês de Pix para USDT, com spread médio de 0,8%. A receita bruta é de R$ 24.000 por mês (0,8% de R$ 3 milhões), ou R$ 288.000 por ano. O capital mínimo das SPSAV fica entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, conforme as atividades, segundo a comunicação do Banco Central, pela metodologia da Resolução Conjunta CMN/BCB 14/2025. O piso de R$ 10,8 milhões equivale a 37,5 anos dessa receita bruta (R$ 10.800.000 divididos por R$ 288.000), antes de qualquer custo de conformidade. A conta de uma mesa desse porte não fecha, e a fila pequena reflete isso.
Para a mesa que quer medir o próprio histórico antes de decidir, o Blue Cripto importa as operações e mostra o que ficou em aberto no fiscal, mês a mês. Comece grátis.
O que a fila sinaliza para a mesa que ainda não decidiu?
Três sinais, a quatro semanas de 30 de outubro de 2026.
Primeiro: o prazo não mudou. Quem já prestava serviço de ativo virtual em 2 de fevereiro tem até 30 de outubro para protocolar. Quem não protocola pode prestar o serviço por no máximo 30 dias depois do fim do prazo e então para. Não há sinal de prorrogação nas fontes que acompanhamos.
Segundo: os pares já se mexeram. As empresas da fila são concorrentes diretas da mesa P2P que converte Pix em USDT. Em novembro, elas poderão dizer ao cliente e ao banco que estão em processo de autorização. A mesa que não decidiu não poderá.
Terceiro: a autorização não é o único caminho. A fila mostra quem vai pedir. Não mostra quem vai operar sob estrutura de quem já tem, nem quem vai encerrar de forma organizada, e esses dois grupos tendem a ser maiores do que a fila.
Quais são os três caminhos até 30 de outubro?
Uma mesa que presta serviço de ativo virtual a terceiros tem três caminhos, e a comparação completa está em vale a pena pedir autorização de PSAV ou encerrar a mesa?. Em resumo:
- Pedir a própria autorização, como fizeram as empresas da fila. Exige capital, as estruturas de prevenção à lavagem, contabilidade Cosif e controles, e protocolar com documentação completa até 30/10;
- Encerrar de forma organizada: devolver ativos de clientes com comprovante, entregar as DeCriptos pendentes, apurar o resultado e fechar a contabilidade;
- Operar sob estrutura autorizada. É o modelo PSAV as a Service, que a Blue Consult estruturou com uma instituição financeira e um escritório jurídico especializado. A mesa mantém os clientes e a relação comercial; a estrutura regulatória, bancária e de compliance vem dos parceiros; a Blue cuida da camada fiscal e contábil.
Sobre o terceiro caminho, a ressalva vale sempre: o enquadramento depende de análise jurídica do caso concreto, a Blue não promete enquadramento nem “licença compartilhada”, e a mesa continua responsável pelas próprias obrigações fiscais. O modelo está descrito em PSAV as a service: como operar cripto como empresa em 2026.
Em qualquer caminho, o fiscal vem antes
Na Blue Consult, que apura Imposto de Renda Cripto desde 2018 com mais de 10.000 declarações processadas, o erro mais comum das mesas neste momento é tratar a decisão como só regulatória. A regulação do Banco Central não mexe em imposto, mas o histórico fiscal da mesa aparece em qualquer dos três caminhos: no pedido, na diligência do parceiro e no encerramento. DeCripto em atraso, resultado não apurado e contabilidade que não bate são passivo que acompanha a empresa.
Conteúdo educativo não substitui serviço técnico. A lista acima resume notícias e normas; a decisão de cada mesa exige números próprios e análise jurídica.
E para o investidor pessoa física?
Nada muda na obrigação. As Resoluções BCB 519, 520 e 521/2025 regulam quem presta serviço de ativo virtual, não quem usa. Comprar, vender e guardar cripto para si continua livre, e a apuração do imposto segue as mesmas regras. O que muda é o entorno: menos plataformas, mais identificação e corretoras encerrando atividades, o que torna o fechamento do ano mais trabalhoso. O que o investidor deve conferir até dezembro está em último trimestre: o que fazer até 31/12 pensando na declaração de 2027.
Perguntas frequentes
Quem pediu autorização de PSAV ao Banco Central?
Segundo levantamento na base pública do Banco Central noticiado por BitNotícias e SpaceMoney em 25 de setembro de 2026, constam Wynx Exchange, Onda Finance, W Brasil Comércio, Masterpay, PFPay e Mazzera; outra matéria do BitNotícias cita a Transfero. O pedido da Higherway Tech Soluções foi negado, segundo a Exame. As fontes divergem entre seis e sete pedidos em andamento.
Por que a fila de PSAV é de empresas de Pix para stablecoin?
Porque a Resolução BCB 521/2025 colocou a compra e venda de stablecoins e as transferências para carteira autocustodiada no mercado de câmbio, e só PSAV autorizada para esse mercado pode prestá-las. Segundo o BitNotícias, todas as empresas da fila operam conversão de Pix para stablecoin, o mesmo perfil da mesa P2P e OTC.
O que significa “aguardando manifestação do titular” no processo do BC?
Pela literalidade, que o processo depende de uma resposta da empresa requerente, como um documento ou esclarecimento. Não conhecemos glossário oficial desses rótulos para pedidos de PSAV, e nenhum deles indica aprovação próxima. O processo de autorização da Resolução BCB 519/2025 envolve exigências e respostas ao longo da análise.
A mesa que não pedir até 30/10 precisa parar?
Pela regra de transição das Resoluções BCB 519, 520 e 521/2025, quem já prestava o serviço e não protocola até 30 de outubro de 2026 pode continuar por no máximo 30 dias e então para. As alternativas ao pedido próprio são encerrar de forma organizada ou operar sob estrutura autorizada, com análise jurídica do caso.
A fila andou; a sua mesa decidiu?
A fila mostra que as mesas de Pix para stablecoin começaram a escolher. Se a sua opera nesse perfil e o caminho até 30 de outubro ainda não está definido, fale com a Blue sobre o PSAV as a Service. Imposto de Renda Cripto com Método.
Contador (CRC-DF 028007-O), fundador e CEO da Blue Consult, o maior escritório do Brasil especializado em Imposto de Renda de criptoativos. Desde 2018, a Blue processou mais de 10.000 declarações e analisou mais de R$ 5 bilhões em ativos digitais. Mychel também é cofundador da Tokeniza e mantém o maior acervo de conteúdo sobre IR Cripto do país, com mais de 1.700 vídeos publicados.